sábado, 13 de fevereiro de 2016

via-amor-devir


"acalmar o coração
significa rever posições
alterar o rumo e a rota
desfazer o sentido

os sentidos que escravizam
são os mesmos que libertam
maremotos e tempestades emocionais
que irrompem aqui dentro

não penso em mais nada
apenas vivo e sinto
que não quero sofrer
nem repetir velhos erros

só me resta sonhar
confiar, me perdoar
lutar e viver
o amanhã é agora

e assim continuo
prossigo no caminho 
resoluto e convicto
amar é meu moto contínuo"

desejo que todos os seres sejam felizes!
 
paz, amor, harmonia e alegria do mundo!



asé!


.i.i.


domingo, 29 de novembro de 2015

poema-banimento-anti-falsidade


bom domingo, dia do sol:




"primo-ódio-primordial-irmão-bro-xtretaszz":

 alou. de boas
na moral, tu parece
menos que uma pessoa
 ser vil... como uma alga?
 líquen protozoa?
 a serviço de baal?

 maguinho anticristão
 paga pau, misógino
 fodão ou cuzão?
no fim, pessoa banal
 e covarde sem igual

 ser fraco,
digno de dó
 criatura palhaça
 alga manipuladora
 risível e patética
 vida tosca, torpe
 porco hipócrita
 alma impura

 evocando um liber mimimi surreal
 quanta pretensa loucura
 insossa e intragável mistura

 me erra, pateta!

okê arô
 vade retro, gaal
 saí do manipura
 tô de boa
 cansei de brin-k a toa
 não sou mais
(na real nunca fui)
da tua turma


paz, amor, harmonia e alegria do mundo!!asé!

.i.i.

terça-feira, 18 de março de 2014

cybercupido uraniano

fagocitar larvas emocionais
é tão difícil quanto entender
a semelhança entre peixes e abelhas
mas como medir o imponderável?

diante de naturezas que se chocam
não há mais tempo a perder
talvez seja melhor silenciar
ou dar três passos para trás

nesse ínterim, dionísio chegou 
ao cupido, embriagou de amor
me ameaçou com seu repertório
mesmo assim, não pude me render

só que a flechada voltou
como? contra quem? por quê? 
tantas perguntas sem resposta 
e assim, a balança pendeu
com a leveza de uma mortalha  


diante dessa microfábula bizarra 
nada disso me assusta mais, 
afinal entendi a importância 
de ter a dor como combustível

(rodrigo cruz)


(escrito sob a vênus em 10´ de aquário)




"amor é a lei; amor sob vontade"

sugestão de trilha sonora:



.i.i.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

manifesto pró afeto

é importante...

confessar, admitir que temos algo de vil ou ruim,
considerar o que há de feio, falso, folgado
além de amar tudo aquilo em que houver pecado.

é importante...


desvirtuar caminhos nas macro revoluções individuais
reconhecendo tantos sublimes sinais 
naquelas que julgaria mais deliciosas
por serem, sentirem e sofrerem ruidosas
silenciando o tempo, com tamanha pureza
para podermos exaltar nossa fraqueza.

é importante...

reconhecer como o sangue derramado 
mesmo sem dor escorre pelo teclado 
cada um, com suas lutas, críticas ou disputas vãs,
é merecedor de respeito.

é importante...

admitir que somos contraditórios 
para seguir desafiando a morte 
somos empolgados, emocionados, inspirados 
flertando mais e mais com o inesperado
sentindo, vivendo, rimando, sonhando, amando
porque exaltar a vida é o que a torna forte.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

tréplica existencial

para apreciação: 

"ouça menos a sua mente e escute mais o seu corpo;
 assim será possível compreender de fato aquilo que sua alma fala"

(rodrigo cruz)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

! Paradeiro !

"não só quem
nos odeia ou nos
inveja nos limita
e oprime;
quem nos ama
não menos
nos limita"
(Fernando Pessoa)



beiro, tropeço
trôpego no bueiro...
me esgueiro,
com receio
verdadeiro.

boto para fora a dor,
esqueço meu complexo
de patinho feio...
e faço ouvidos moucos!

ignoro os riscos,
desconsidero:

avisos roucos!
dicas fúteis
ou conselhos seguros,
opiniões prudentes,
(nada me segura)!

de nada fazem sentido
numa,
na minha mente:
(demente?)
feliz, esperançosa, contente...

"tudo culpa dela!"

do amor,
da dor,

de não tê-la (...)


(rodrigo cruz - 09/11/10)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

por mais a mais (ruptura confessional)

introdução:
"quem me guia são meus guias. pelos meus santos, orixás e demais forças da natureza sou guiado e por todos abençoado!"



mesmo o mais forte santo
em algum momento acaba em pranto
portanto, por tanto e por tudo
aquilo que não lhe disse
por realmente esperar que você partisse

por mais a mais
de tudo o que for capaz
ou por todo o sentido insensível
do que intuía há tempos atrás,
mesmo incapaz de traduzir o indecifrável do nada

assim prossigo e carrego a espada embainhada
e, ao longo dessa vã jornada uns me veem,
apontam, criticam, condenam, com veemência
me consideram um condenado, fracassado,
pobre coitado com o ego inflado
com sorte, talvez um poeta pressentindo a demência cotidiana
mesclada à doença dessa tal pseudo-sapiência humana

não espero que isso lhe convença
afinal, na maior parte do tempo sou ingrato
desarranjo o arranjo cósmico orquestrado
lado a lado, se mostrando mais e mais patético
aliado ao suposto consentimento do cético

aquele ser sempre trôpego, do tipo que se desequilibra
amparado pela rigidez dogmática da ciência
mas, contraditoriamente, a este cenário futuro
no presente escrevo, contesto e lhes presenteio

escravo das palavras e teclas, transbordo
emoções, desejos ou sonhos pelas bordas dos poros
fundindo-os e me confundindo com o que sou

assim, no fundo, é (ou acaba sendo)
bem mais do que isso,
o tudo-e-o-nada se resumem a:
de onde vim, por que permaneci e para onde vou?

e quem disse que vou?
melhor ficar na dúvida e por mais, ter algo a mais
ainda há mais a fazer, muito pelo que morrer
e somente assim ter como me redimir, voltar a sorrir

devo me fortalecer em novas lutas,
ou então conseguir a benção da lua
para então voltar a mim,
por mais coração ou menos razão a mais
tanto faz, desde que haja algo demais
que devolva a minha paz
(rodrigo cruz - 05/10/10)



8888

888
88
8

quarta-feira, 30 de junho de 2010

confissões 2 e 3


num átimo de segundo

meu íntimo

me intima à mudança

desafio o destino
desafino e desatino
seria burrice
se o meu pensamento já não estivesse lá

onde?
sei lá, é difícil julgar

a si, aos outros, o passado, o futuro
nesse diálogo, cada um sabe o seu caminho

o meu está, porém nunca será sozinho
*


sou capaz de indecifrar o oculto
 
e no mesmo segundo me perder
preciso esquecer meus erros
seria melhor me demover
dessa idéia tola

de entender tudo
remover todas as propostas
firmadas sem coração
ou acordo adequado
é chegada a hora
de
abandonar
acertos estabelecidos

assumir os fracassos
admitir os meus vícios
reconhecer minha inaptidão
e seguir errando
muito mais
como há muito tempo atrás
mas isso passa
passarinhemos pois
em busca das belas ilusões
ou de todos os delírios inconfessáveis
já que é
assim,
me dá a minha
dose diária
dessa loucura

chamada
realidade


paz, amor, e revolução
tempos difíceis nos aguardam

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

confissões (parte 1)


carrego todos os pensamentos perdidos
mais aqueles sentimentos contidos
ou os livros que nunca li
nada disso desaparece de mim

ainda que sumam coisas
sejam elas
objetos valiosos
desejos cobiçosos
sentimentos trevosos
ou impulsos odiosos

isso tudo nada é
senão o reflexo de mim
aquilo do qual sou, fui e serei
feito e desfeito
mas nada me pertence
senão o universo
em versos diversos

talvez por isso não consiga
falar de amor sem melancolia
em um dado momento
ou à completa revelia
da maneira como
desejo-penso-sinto

minto tão bem, por isso me confundo
lá bem no fundo jaz a esperança
onde uma chama arde
indicando sem alarde
que ainda não está tão tarde

o sofrimento era feito companhia
avizinhando-se ao papel e caneta
até que algo em mim mudou
o conflito cessou

não me surpreendo mais
com a capacidade de renovar
que o mundo nos dá

apenas vivo, e isso é tanto
pois tanto mais há
pelo que sonhar
que acabo não sabendo sobre
nem de qual modo
poderia falar
sem hesitar, fraquejar ou falhar

era esse vazio que incomodava
cuja companhia me angustiava
mas me mantinha atado à vida
flutuando, meio confuso
muitas vezes à deriva

nele está a sua força bruta
caótica, confusa e abrupta
talvez por isso seja tão

complicado
difícil
intrincado

escrever
definir
explicar
como
(e como!)
sente e arde
esse meu louco coração
quando ama

quando o proclama
na cama
se esparrama
sorrindo de alívio
em cio completo
inquieto, arfante

confessando
desejos tórridos
quase sordidos
de estar e ter
em e com
dentro e fora

todas essas palavras são vazias
verbos-pronomes-preposições
só passam a ter valor
na deliciosa rima de corpos
quando a conclusão
dessa métrica
assimétrica
termina harmônica
no eu e você

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

apenas uma prosa

dessa vez vou fazer diferente. não vou submeter minhas idéias ao labor intenso da concentração racional, ou tentar enquadrá-las em algum estilo definido ou formato vigente, do mesmo modo que me habituei a fazer com aquilo que produzo, ou melhor, crio. falo em criação, pois acredito haver uma potencialidade fática (e fantástica) contida nesse processo.

pretendo dar vazão ao vazio que de mim transborda, transpira pelos meus corpos físicos e astrais. não ligo para os céticos, afinal eles também não ligam para as minhas crenças e assim tudo prossegue numa relax, numa tranquila, numa boa.

não tenho mais medo de parecer um imenso clichê, pois tudo se repete e remete a uma prolixa exaustão, para depois ser (re)inventado por um outro eu, tu, nós, vós ou eles. então para que ter ciúme de uma idéia, de uma crença, de um desejo ou um sentimento?

não sei de nada, e nem quero saber. já tive raiva de quem sabia, mas a raiva maior é aquela que dorme no meu peito, decorrente da minha covardia, pela falta de ousadia e de originalidade. sou insosso, grosso, preguiçoso, comum, tão pernóstico e repetitivo que me canso constantemente dessa natureza viva daqual sou composto.

apesar de escrever compulsiva e impulsivamente neste instante, mesmo que de maneira caótica, catártica, egóica e confusa, devo confessar: me preocupo com a possibilidade de alguém compreender a proposta original destes escritos. não é fácil para mim fazer esse tipo de revelação, me sinto desarmado e vulnerável ao fazê-lo.

preciso silenciar a mente, me concentrar naquilo que supostamente é importante, mas não consigo definir a intensidade dessa escala de valores significativos. por isso ando sempre atrasado, não tenho pressa para certas coisas, mas o tempo me aprisiona pois tento dobrá-lo e no final sempre saio derrotado. apesar disso, não desisto de tentar vencê-lo, sou teimoso, chato e persistente, mas normalmente o que me motiva são impulsos banais, ou assim parecem para a maioria dos mortais.

talvez seja por isso que parte de mim questiona, talvez seja o superego (qual a necessidade de tantos rótulos e classificações, mesmo não gostando delas?), mas o fato é que esse algo aí me diz:

"por que vc pensa tanto, tem muita gente morrendo de tiro, fome, frio, lepra, pneumonia, leucemia, cirrose, facada, asfixia, desgosto e até de felicidade, pra você ficar se achando tão especial com esses pensamentos banais sobre o sentido da vida, o que nós somos e para onde podemos ir, o que fazer com os seus dons, talentos e como ser uma pessoa melhor. só de imaginar isso, dá pra ver o quão idiota, pretensioso e fraco você é!"

e a tal voz não para nessa consideração, ela continua com o seu ar inquisidor, sem me dar qualquer tempo para respirar ou sequer refletir:

"no fundo o que pretende é encontrar um bálsamo para a sua vidinha medíocre, mais um paliativo para você que nunca aprendeu a sofrer, tem medinho de sangue, se esconde dentro de si mesmo, de telas de computador, páginas de livros, melodias quebradas e notas musicais dissonantes, maços de cigarro amassados, canecas e canecas de café frio e copos de cerveja quentes. no fundo você quer o perdão e se acha melhor que os outros, porque seria? és mais belo, inteligente ou digno do que algum dos demais seres?"

depois desse massacre emocional, sou levado a concordar, e desabafo: "sim, eu me acho melhor do que os outros, fui levado a isso como uma alternativa, ou pensava isso ou morria. aliás, cansei de me sentir morto, cansei de andar rastejando como um pobre coitado, cuja maior benção seria ser grato por estar vivo e, por tal motivo, ao menos para mim a felicidade se mostra inatingível."

ao confessar isso, irrompe uma súbita vontade de gritar, implodindo de cólera e desgosto, me estilhaçando em sete mil pedaços, para então bradar aos quatro ventos: "NÃO! EU RECUSO A PERPETUAR ESSA HERANÇA NEFASTA!", e talvez eu tenha feito isso, ao menos nos meandros mais secretos da minha conturbada (e perturbada) mente.

percebendo meus esforços, a voz diz, na vã tentativa de silenciar os ecos da minha dor: "não adianta, eu vou continuar ao seu lado, sondando os seus pensamentos, desejos e emoções, mapeando suas fraquezas, amargando suas glórias e anulando suas virtudes, afinal, você deve tudo a mim, eu sempre sei qual será o seu próximo passo!"

"e talvez saiba de verdade" - concluo, dessa vez mais relaxado e desarmado de qualquer forma de resistência, seja ideológica, física ou emocional - "mas acontece que a palavra final é minha, sou eu o responsavel por puxar o gatilho, soltar o punhal, por escolher a pílula azul ou vermelha, exorcizar ou escravizar os meus demónios internos, puxar ou soltar as rédeas da minha vida, e essa condição ninguém mais será capaz de roubar de mim!"

nessa constatação, percebo como o tempo se esvai sem nenhuma resposta, apenas com a doce certeza de que essa batalha nunca acabará, porém a força da vitória se mostra ao longo de cada batalha, na singela beleza de cada passo dado, mesmo trôpego, vacilante e irregular. não voltei à estaca zero nem tampouco na linha de chegada, pois percebi como seguir o caminho é fácil, se perder nele também, mas sempre há uma luz dentro de si, que te leva de volta, e pode te conduzir ao pote de ouro, ao elixir da longa vida, ao valhalla, ao paraíso das fadas, ao frescor da relva, até a face oculta da lua ou ao vento que sopra e me leva para a última estrela depois do amanhecer, me transportando de volta à fonte universal, ao seio maternal do cosmos... ao tudo e ao nada!

assim, nessa toada, tudo recomeça, com meus sonhos, devaneios e dramas devidamente posicionados nos seus devidos lugares, na insignificância habitual da qual nunca deveriam ter saído. me recomponho, respiro fundo e abro os braços para encarar o mundo, com a esperança renovada dentro de mim, ao assumir o eterno retorno como circunstância natural, posso afirmar, com o pouco de certeza que ainda me resta: "que venha a tempestade!"
(rodrigo cruz)

paz, amor e luz

sábado, 21 de novembro de 2009

desabafo sufocante

vocifero contra os deuses construídos
constituídos de maneira inconstitutiva
destilo desejos destrutivos,
desde antes dos meus sonhos
mesmo assim vamos lá
prossigamos em frente,
não há como negar

vivemos tempos sombrios
por isso, evite choramingar
não alimente mais frustrações
controle suas reaçoes
não aumente o valor de sua dor
ou ignore o torpor doente
do ente querido

assim arrisco, cisco, corro riscos
driblando o fisco, mas não sei jogar bola
sou uma negação, mas não o nego
deixo de agir e nada de bom
vai surgir do nada
ao nada devo me render
não posso mais me conter

o relógio toca e eu ignoro
oro por mais dez longos segundos
segundo os quais tais sonhos se refazem
jazem passados e descontados
não evito mitos infundados
acabo me afundando em pensamentos
ocultos, cultos, doutos, moucos

poucos deles valem a pena
ou sequer entram em cena
não é drama, nem tragédia
na corrida da vida perco as rédeas
sem sentido sinto apenas
sem certeza, mas a falta
há falta

que me mata pelo peso
e o vazio não é bom
mas é meu único alento

sonho acordado com
uma espécie de suave milagre
mesmo sabendo
que não há nada capaz
de apagar o passado
não procuro redenção
apenas um propósito

apuro todos fatos
para então depurar
a mim mesmo
atiro a esmo
e acerto o alvo
ninguém está a salvo
da mudança
dos ciclos
das transições

ninguém é imune
aos ditames da vida
ninguém passa incólume
aos sofrimentos, às dores
aos dissabores da vida

afinal, não nos resta outra saída
senão seguir na missão
que para mim se traduz
e não se reduz
a procurar o meu lugar
no mundo, no fundo
naquilo que há de mais profundo
no âmago do meu ser amargo

sem ironia, clichê ou chavão
é tão difícil encarar a verdade
ainda mais quando tudo mais
parece tão vão demais

viver machuca e arde
e qual seria o caminho?
não deve ser sozinho
e a passagem contra o desafio
é apenas uma, seja qual for
assim creio que o antídoto da dor
está contido na nobre arte do amor
(rodrigo cruz)



Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
1 Coríntios 13

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

parte zero, um, a seis, de uma só vez!

0 - o tema é:

a vida árida na babilônia
por onde me arrisco sem risco
driblando os maus fluidos
olores nauseantes e dissabores
meu compasso é desse jeito
*
malfeito, torto, confuso
tropeço trôpego em passos lentos,
por espaços cheios ignorando
os fortes cheiros de urina, suor e amônia
*
percorro a fauna urbana
e me deparo com uma gama de espécies raras
loucos acadêmicos, coroas endinheirados
michês sacanas, artistas fracassados
e relíquias de cinema
nessa vida repleta de clichês
*
acho tudo bacana
e assim vou formando
(ou seria deformando?)
uma pseudo-rima urbana
cheia de ironia
*
mas ignorando totalmente
a métrica
as convenções
recursos estilísticos
adjetivos, termos, sentenças
conjunções ou apóstrofes
*
ou mesmo soluções esmeradas
encontradas em ânforas perdidas
por antigos liristas
(novos, atuais, futuros)
rimadores, escritores, cantores
mas ainda sim os exalto
*
I - sejam eles:

camões, pessoas, marcelos
joões, gustavos, leandros, carlos
sebastiões, franciscos, fredericos
aoris, coras, manéis, caetanos,
mauros, agenores, jorges, renatos
pedros, paulos, robertos, ricardos
bernardos, rodrigos, clarices,
mauros, gabriéis, safos,
sophias, homeros, marcos ou vinicius
(em suas rimas repetidas)
*
expressando escritos, relatos e mitos
proferidos desde antigamente
sentenças cantadas
por antigos menestréis
entoadas pelos aledos,
sonhadas por musas
dedilhadas pelos bardos
narradas pelos griôs
valorizadas pelos mecenas
recitadas por repentistas
*
II: para mim todos eles são:

verdadeiros magos
alquimistas do pensamento
contístas do encantamento
multiplas miríades míticas
manifestações materiais
multi-artistas dimensionais
(multiinstrumentistas espirituais)
senhores de todas as dores
cronistas imortais nos seus anseios
capazes de vencer
os grilhões do tempo
de qualquer modo
com o uso de todas manhas
armadilhas e artimanhas criativas
*
assim cá estou
sempre transformando
(transmutando dores)
me convertendo também
em arte ativa
produto nada palatável
para todos os sabores
*
III - pra lá:

de bagdá, marrakesh,
baixada fluminense, jardim ângela
são gonçalo, paris, cairo ou goa
não importa o lugar
*
sigo errando, parado,
meditando, viajando
para decifrar
os segredos e resoluções
com rimas nunca dantes cifradas
em mares jamais navegados
*
não, não tenho a pretensão
(ou tampouco a doce ilusão)
de me comparar aos maiores
apenas os respeito e reverencio
*
e por isso os cito,
deveras envergonhado
balbucio seus nomes e os sussurro
em quase completo silêncio
esperando que me escutem
e prontamente respondam
*
IV - pois é:

já disse
assim o sou
(igual ao flow, ou seja)
veja bem além
através da rima
levada rimada
entoada embolada
procuro alcançar a métrica tétrica
repetitida e sincopada
de maneira intuitiva
nada planejada
sempre improvisada
que se propaga mesmo no real
(ainda que eu não tenha um real)
*
no espaço sideral
meso-universal
totalmente abissal
os sonhos me valem mais
pois sei do que sou capaz
assim estou e permaneço
*
repleto de desejos cinzentos
prossigo meu lamento
(tomado por delírios)
açoitado por lírios
que invadem
todos os pensamentos, em momentos
e tormentos inquietos
que assolam minh´alma
corroendo-a com mórbida calma
*
assim eu vou
nada é demais
mesmo assim nada
(parece ser)
capaz de restaurar
minha paz
*
V - reconheço

a mentira é dolorosa
porém necessária
a certeza arbitrária
em nada me auxilia
*
apesar disso tudo, não volto atrás
a capacidade de verdade
é aniquilada pelo peso da lâmina
uma espada invisível e gigante
retalhando meus pensamentos
com tamanha brutalidade cortante
*
ao sorvê-la, sofro:
com o sabor sombrio
na magia do polén amargo
apesar disso, dos vícios
equívocos e atos omissos
recrio minhas cinzas
tal qual a fênix incauta
estilhaçando torres da inconsciência
ou do mesmo modo imprudente
como o psiconauta imerso
nos perversos pântanos da demência
*
mesmo assim, ou talvez por estes atos
alguém ainda me pisa
me deságuo em pensamentos nefastos
procuro manter o brio de qualquer modo
inovo e renovo minhas esperanças de novo
*
minhas atitudes são estúpidas
toscas, tolas, esdrúxulas
impensadas, desmedidas
muitas vezes surdas e burras
*
VI - pois vivo às turras

com meus pensamentos
não consigo domesticar minhas emoções
adestrar meu louco coração
falo mais do que deveria
*
não consigo agir de outro modo
mas prossigo com tal pretensão
na doce ilusão de resgatar
minha melhor parte pela arte
desse circo de horrores, das dores e temores
*
torturo-me ao abrir
a caixa de pandora sem demora
saio correndo em passos céleres, sem sorrir
na vã tentativa de fugir ofegante do hades
*
mas tarde concluo:
nada mais me é preciso,
pois é possível
encontrar a redenção
e lutar pela paz,
haveria nisso
algum um tipo de contradição?
*
para mim não,
apenas uma louca ilusão
mas é muito mais,
uma velha missão
enquanto o coração bater
não há nada a temer
apenas perdura a pena
a duras penas
apenas
me resta
remar
rimar
para
alcançar
a paz
ultrapassar
tudo
e
o nada
mais
sem mais
rodrigo cruz




músicas (in)cidentais:
emicida - por deus, por favor
destruction of a guard - gza e dj muggs featuring raekwon
mos def - i´ve commited murder

the roots - pass the popcorn
céu - grains de beauté
solution featuring talib kweli & asheru - moodswing
method man & redman - we´ll all rite cha´
mv bill - dizem que sou louco
parov stelar - spygame
cartola - alvorada
korn - make me bad
chico buarque - construção

Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
(Mário Quintana)


paz e amor!

domingo, 18 de outubro de 2009

"repetidos ritos"

"Quem quer tornar-se cidadão dos céus faça-se hóspede do deserto"


repetidos ritos

 nada mais parece ser
assim o é
nada dura eternamente

a simples mente
simplesmente
falseia, confunde, tortura, nubla

sim, assim sigo sozinho
de maneira turva e penosa

os caminhos da crença e da fé

mas como explicar algo
que não se pode tocar?
como viver, se o fim é morrer?
pelo que lutar, se a derrota é inevitável?
o que nos leva a adiar o inadiável?

tantas perguntas, sem nenhuma resposta
talvez seja um impulso odioso
mas que nada de novo
de novo me mostra
 além de um suspiro teimoso
  pulso que ainda pulsa valente 

com uma força que ainda ressoa 
 trêmula, ofegante, insistente e renitente

não consigo enxergar além da paixão
nem daquilo que atravessa meus olhos
 mas meu coração tem o poder
de suplantar e encantar a razão

gritando bem alto, ele proclama 
a surdez de monólogos interditos
entre tudo que for inaudível
sequer pensado ou desejado

com a mesma rispidez de malditos
loucos, nobres delirantes
confessos meliantes

ou pobres amantes
não importa
para mim tanto faz

se sonhar for ainda 
remédio eficaz
ou um doce placebo 
capaz de reverter
o reverso do irreversível

e assim prossigo 
na busca errante
por um caminho possível 

mesmo tortuoso, sinuoso,
quiçá perigoso

cujo destino me leve
ao clamor da alma leve
para que então

 sem dó, pena ou dor
apenas alcance minha paz
e nada mais

(rodrigo cruz)



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade - Os Ombros Suportam O Mundo)


"paz, amor e harmonia"

asé!

.i.i.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

algo (não tão) novo de novo (1a versão)

escrever sem ler
não tenho o que dizer
não o faço por amor ou lazer
*
essa é a primeira mentira de todas
sempre há o que ser feito
e, mesmo assim, nada pode ser desfeito
pois o efeito é lancinante
*
mais alucinante e, mesmo assim, nada o ameniza
me conduz por cada instante
paralisa, controla, ameniza
num intenso vai-e-volta inebriante
*
são frases, devaneios, pensamentos
ou tolas sentenças
proferidas por uma boca torta
ou recortadas direto
de uma antiga rima morta
*
portas se fecham
ao se abrirem sorrisos
novos olhares e desafios
desafino em desatinos
por desconhecer outro caminho
*
minha fuga é a saída
no escapismo estaria a redenção
de tão doce ilusão
dentro uma morada interior
resgato de dentro de mim
a mônada da vida superior
*
nada disso é fácil
não era esse o tema original
pelo qual escrevia
sofria, vivia, chorava ou sorria
*
não sei rimar, não consigo mais amar
nada mais há a encarar
é inevitavel aceitar
*
apenas a mais indecifrável
de todas as verdades
antes que seja tarde
a vida dói, o mundo arde
nada disso é em vão
*
minha missão se revelou
de forma deformada e velada
velando o sono dos insones
loucos, ébrios e desvairados
varando dias e noites
na busca pela via errada
*
minha criação enfim se eterniza
com o todo me harmonizo
sinto, penso, respiro, surto
não me furto ao direito de pensar em silêncio
enquanto minha alma escreve e descreve
*
possessa,
processa, confessa
proferindo e parindo pensamentos longínquos
partindo sem destino da lua até marte
trânsitos oblíquos de tão vã e marginal arte
(rodrigo cruz)


"Ver um mundo num grão de areia
e o Céu numa flor silvestre.
Ter o infinito na palma da sua mão
e a eternidade numa hora"

" To see a world in a grain of sand
And a Heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour ".

(Willian Blake)



ps: paz, flores e amores


domingo, 20 de setembro de 2009

simples assim (1.1)

"AWEN" é a força mental para estimular a criatividade.

(tradição celta, autor desconhecido)


14

é isso, não preciso de mais nada

a rima é minha arma, mesmo embainhada

nunca fiz um soneto, pois não sou poeta

ou sou, proclamo?

*

um ser bem profano

nem parnasiano

civil ou miliciano

tô longe de ser atleta

*

mas papai, quando eu crescer

quero renascer

rimador

repentista ou eme-cee amador

*

mas, não dá mais, desiste, vai?

quem disse?

eu quero muito mais

será que sou capaz?

há verdade é tudo pela paz

sou incapaz, posso parecer covarde?

*

assim conquisto a liberdade

que o perdão traduza bonança

e este escrito simbolize

todas as lâminas

o destino final

*

a síntese

para passar

das trevas ao pó

não é a guerra brutal ou violência

*

é, foi, e será uma só: esperança!

*

para então desaguar meu corpo flácido

nas águas plácidas da temperança

(rodrigo cruz)


"Em uma Escola iniciática, a música, e principalmente o canto, tem um grande
papel a desempenhar.

Como, no canto, nós mesmos somos o instrumento que
produz os sons, o fato de cantar tem sobre nós – sobre o nosso corpo físico e nos nossos corpos sutis – efeitos muito poderosos.

Através do canto, emitimos ondas, correntes de força que criam formas em nós.
Por isso é tão importante encontrar a função mística do canto, concentrando toda a sua atenção não só na melodia, mas também nas palavras;
e, sobretudo, é preciso saber escolher o que se canta.

A palavra é criadora de mundos, e esses mundos são capazes de se manterem
vivos por muito tempo.

Não se pode saber até quando durarão os efeitos de uma palavra.

Não se deve subestimar os efeitos da música, e principalmente
do canto."
(Omraam Mikhaël Aïvanhov)

exercitando o perdão e a paciência, desejo a todos um bom domingo!


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"a todos, homens e mulheres"

um salve a todos os seres pensantes!

um pequeno lembrete:
(sobre o qual muitos sabem, outros imaginam, alguns poucos desconfiam)

"posso declarar, sem sombra de dúvida, que em todos os seres humanos, sem exceção ou distinção de gênero, etnia, cor, cultura ou nacionalidade, dorme uma estrela"

a frase é minha, mas tem uma relação profunda com opiniões/definições estabelecidas por diferentes autores.

alguém se habilita a dizer quais seriam?

para complementar, teremos dois poemas curtos, seguidos de uma oração obtida graças a uma nova amiga (os créditos virão, é questão de tempo) para iniciar a sexta-feira numa relax, numa tranquila, numa boa... muita paz e luz a todos!

I- ?multiplique dúvidas?

concorda?
discordo
mesmo sem corda
você acaba armando uma arapuca
para se enforcar
*
minha mente rateia
reateia
a teia
permeia
*
desafeta
deforma
forma
uma cratera
sincera
desferindo urros
e murros
*
nessa esfera
espero estar vivo
depois de tantos desafios
mesmo por tanto
tão pouco me é dado
ao menos nada mais me é negado



II - destino ou desatino?

foi-se a foice
em golpes lentos e fatais
os fálicos fatos fatídicos
fatalmente
indicam como
as pudicas musas
confusas
nuas
vestais
as tais
praticamente
nada
têm de santas


III - A oração:

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!





segunda-feira, 7 de setembro de 2009

dupla dose de delírios

olá, frequentadores deste modesto espaço.

espero que todos estejam bem e tenham muito mais para celebrar daqui p/ frente
como é de conhecimento de alguns, minha agenda vem sendo preenchida com inúmeras atividades, o que restringe o meu tempo hábil para criar, pesquisar e manter este blog atualizado como deveria e gostaria.

assim sendo, peço a todos que não deixem de acompanhar as novidades e continuem prestigiando este espaço, mesmo que demore um pouco mais para que surjam novas postagens.
após esta explicação, vamos ao que realmente importa, sem mais embromações:

AGONIA

"Agonizo se tento
Retomar a origem das coisas
Sinto-me dentro delas, e fujo
Salto para o meio da vida!

Como uma navalha no ar
Que se espeta no chão

Não posso ficar colado
À natureza, como uma estampa!
Nem representar- me no desenho que dela faço
Não posso!

Em mim nada está como é
Tudo é um tremendo esforço de ser"

João Apolinário





falha a razão, fala a poesia
através de gardênias ou gardenais
a cura vem logo mais

não há nada mais capaz
de me entreter ou manter preso
às ilusões coesas

está nascendo
num novo mundo
emergindo do caos
mais profundo
um novo líder
da verdade profana
que arde
queima no fundo
e aniquila a maldade

por onde virá a revolução?
(la revolucion)
ou revolusom?

não da parte dos poderosos
eméritos seres duvidosos
mas há de vir sim
direto dos pés dos esfarrapados,
pelas vozes dos loucos embriagados
dos delírios de pensadores maculados
e das mãos de artistas viciados

o peso do corpo morto
não sobrepuja a pujança da alma
com calma a recompensa
compensa
com tamanho esforço
me contorço
sem contorcer
acabo distorcendo
o todo e tudo
contudo
o resultado esperado
é incomensurável
inacreditável
tudo é possível

basta ver mais do que crer
chega de tamanha pasmaceira ou tanta fraqueza
é hora de acordar, a verdade enxergar

espero que não tarde
nunca é tarde para o fim
um novo ciclo, novos olhares
para pares coerentes, discursos divergentes
ou imponentes posturas descontentes

daqueles que se tolamente se agarram ao vento
fruto amargo de tantas certezas absolutas
resumo resultante de todos os postulados de imbecis convictos
pretensiosos, exultantes, pródigos em conquistas vãs
desde sempre nos teatros da vida invictos

porém derrotados no desempenho eficaz dos papéis
fiéis títeres especializados na mera reprodução
plenamente apegados ao papel de gado
sorridentes, felizes, encorpados, prontos para o abate

penso nisso e logo a certeza me bate
espanca, colérica, outros nobres sentimentos
sussurrando ao pé do ouvido
um calafrio estremece
meu espírito se debate

quem nasce para louco
nunca se conforma
com a forma trivial, débil, simples
sinais de aparente sanidade

ser normal, igual aos outros
aliviaria toda a dor
mas me deixaria infeliz,
castrado, resignado e frustrado
envergado em falsas verdades
vertendo lágrimas de sonhos perdidos
nunca mais alcançados

a resposta universal para qualquer dor sofrida
se debruça na aceitação do impossível na vida
é somente assim que percebo
seria o amor nosso único placebo?