domingo, 16 de agosto de 2009

renascimento, da mente e do espírito

"(...) tristeza foi assim, se aproveitando pra tentar... se aproximar (...) "

parecido, porém diferente dos mestres
(1: jovelina e 2: b-negão+ digitaldubs),
ai de mim se não fossem as armas
(papel e caneta, ou teclado e monitor, depende do meio)

assim sendo, vamos ao (novo) desabafo matinal:


bem como já disse
em outras ocasiões
nada tenho a perder
tampouco a temer
essa é a maior das revoluções
*
o som dentro de mim
que me oprimia
torturava meu cérebro, alma
acabando com minha calma
açoitando-a
com cólera
ódio e ardor
subitamente mudou
*
virou uma base musicada
bem ritmada e celestial
misturando um impulso
primal, diferente
um misto de ska, com pitadas de samba psicodélico
sons de cítaras e "wah wahs" derretidos
de fundos orgânico, eletrônico e quânticos
que me fizeram tremer e tontear
e tem tambem um tambor de terreiro
junto com um bumbo,
aplacando a dor

ressoando com calor
nas almas inquietas do mundo inteiro

queimando tão fundo e vertendo lágrimas tão mágicas
que mesmo o mais bruto chorou

*
como seria possível que uma base me fizesse chorar?
e me fazer delirar legal
sendo muito melhor que o real?
*

não sei, descobri
que tô numa de renascer das cinzas
fazer do coração e das tripas
novos mecanismos,
recriando o organismo, toda mente em si
*
questiono minha vida,
minhas crenças
ideologias
e constato
afinal
*
que o meu engajamento é lento
individual
confuso
muitas vezes
restrito ao lamento
e por isso difuso
paradoxal
como toda a minha existência
no mundo real
*
assim, constato,
para mim
a única possibilidade
de militar na vida
sem me limitar
só se mostra possível
através da arte
*
faz parte
mas sem panfletos
ou discursos ensaiados
que saiam de mim
apenas palavras autênticas
autenticando o etéreo
amplificando o grave inaudível
com a força compressora do estéreo
*
sempre sem pressa
pois o recado foi dado
quem tem coração para ouvir
sabe que nada foi em vão
quem puder, vai sentir
se possível, intuir
e encontrar a melhor forma de agir
*
o desafio é não desafinar
afinar o discurso mal feito
encontrar os iguais
mesmo diferentes
caminhando ao lado, na frente, de todo o jeito
de todo tipo de gente
o impulso é imediato -
para salvar a todos nós, timoneiros e náufragos -
porque ele se basta na mente

*
contribuições, diretas e indiretas
(portanto, reflexivas)
- beatles (my guitar gently weeps)

- immortal technique
- ancient astronauts
- gotan project (lunatico)
- portishead
- jorge ben (a tábua de esmeralda)
- bob marley (natty dread)
- los sebosos postizos/nação zumbi
- jamiroquai
- sabotage

P.A.Z.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

minhas máximas minimalistas (volume I)

I
reduzir para simplificar
sofrer para transmutar
dividir para reinar
errar para entender
morrer para renascer
reconhecer para perdoar
destruir para criar
admitir para modificar
viver para amar

II
poucas
mesmo
palavras
soltas
ao vento
são capazes
de
causar
grande
ALENTO
mesmo
quando
soltas
ao sabor
do vento




III

"Aproveite todo tempo livre e sonhe.
Se livre do que não te vale
Afinal, sonhar ainda não custa nada,
mas pode valer sua alma"


IV
Minha métrica é irregular
meus versos, sincopados
quase nada tenho de musical
atravesso o tempo o tempo todo
sou palavra rascunhada
de garranchos indeléveis
cravando fundo em sua alma

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

vão desabafo de um bufão

Bom, aqui vai mais um:

espero pelo inesperado

em permanente compasso
de passos nada apressados

assim, o apreço pelo passado
por algo dissimulado
ou pela trapaça

por tudo que me ameaça
me toma de assalto
simulando sobressaltos
sem sentido

diante disso
ninguém me detém
nada se mantém
coeso

no meio deste impasse
não vislumbro o que lhe ameace
ou ao menos um sinal de solução

mas, bem ali há um álibi
que traduz um escasso alívio
onde as curvas da dúvida se mostram turvas

o que é dúbio, não é;
simplesmente está
lentamente me entorno ao meu entorno
dentro de um hipotético delírio profético
contido na criação poética

não pode haver pretensão neste processo
afinal, nunca fui senhor das palavras
são elas que me escravizam,
moldando-se em diáfanas formas difusas
fundindo e nos confundindo ao seu bel prazer

assim, nessa toada, vou lavrando significados
no aceite deste desafio estético
me esmero, sincero,
em um mero escrito patético
diante de tão árduo cenário
encontro meu principal refúgio

para me encontrar, fujo
buscando então escapar,
se possível me reinventar
e dentro de mim erradicar
tamanho impulso opressivo que me infesta,
assim criei estes versos de desabafo
espécie rara de manifesto antidepressivo
é deste antídoto que preciso
pois ainda há bastante dele para a cura

mesmo assim, minha mente mente
tento me desculpar, não é algo coerente
ou sequer um desejo consciente
vivo imerso nesse desafio intermitente

oscilo, me equilibro por um fio
por um instante permanente
nada separa o caos, a loucura,
o desejo, os devaneios da dor e amor
por um instante permanente
a fúria perfura a aparente superfície
urge como o rugido silente

tão inaudível quanto:
os golpes do malho do artífice
tudo o que não foi falado entre um casal
os urros dos murros em muros pontiagudos
do mesmo modo que os contornos de algo inacabado,
sem solução real, definitiva e latente
por tudo aquilo sem resultado ou significado

mas e daí?
estou cansado de certezas
quero mais delírio, lágrimas,
novos aromas, paisagens
gargalhadas, beijos demorados,
passeios ao léu por antigas paragens
chuvas arco-íris escorrendo da sua íris
e nada disso faz sentido

sonho acordado há milênios
e a liberdade se mostra tão próxima
pois basta cruzar a fronteira do real
aciono um coro clássico de vozes em uníssono
seria meu placebo contra o sono
uma resposta tardia
contra a letargia
que dentro de mim ardia
agindo contra a vida, o desejo
e qualquer sorte de magia

não há nada de errado com o mundo
pois ele está sempre a seguir em sua rotina contínua
noite após noite, dia após dia
o mal reside no inconformismo

quem vai se atrever a dizer
que nisso tudo há alguma razão?

e, se sentido houvesse,
sempre poderia ouvir de outro ser
alguma prosaica alma que me dissesse
ser apenas produto fortuito de uma ilusão
ou então, como diz o título, simplesmente
o vão desabafo de um bufão
por rodrigo cruz



considerações sobre a dor de amar


depois dessa madrugada, nada mais me importa
estava angustiado, realmente incomodado
até alguma parte perdida de mim dizer:
"não há de ser nada, isso passa, você está aprendendo"

"ainda há tempo..."

como assim, penso seu?
o amor me parece tão longe
sonhei, arrisquei, me doei
a esse translúcido sentimento me entreguei
e o que sobrou?

nem as sobras, sem sombra de dúvidas
de redenção, passou, nada restou
um irreversível verso, se mantém
o reverso desconexo do real

"mesmo assim, há tempo..."

para saber que a alma feminina não é algo que se entende
para aceitar como um coração partido como o meu nunca se rende
que, para transmutar a culpa, a verdade sempre prevalece
e arde, mesmo que tarde, até que o corpo desfalece

"sempre há tempo!"

para aceitar que promessas de amor,
mesmo as sinceras declarações
são palavras vãs, simples mentiras,
meros impulsos, convenções
se diluindo em súbito desalinho
ao sabor do vento
deixando como vestígios
apenas pranto e lamento

"(...) ainda sim, há tempo (...)"

para recomeçar, juntar os cacos,
o infinito em mim resgatar
fazer da vida poesia,
dos meus dias novas agonias
juro para mim mesmo

"tem que haver tempo"

a vida apenas começou
se você errou - sugere a tal voz perdida - reconheça, se perdoe
não tenha medo de tentar
arrisque-se, desacredite daquilo que lhe faz mal
saia do plano a
dirija na contramão
inove!

que tal olhar para o mundo com novos olhos?
é isso que eu desejo a partir de agora
vou atrás de um bálsamo
capaz de curar as feridas
do meu coração empedrado
não me sinto superior, mais inteligente, evoluído
é algo diferente, estou apenas desperto

"e por isso sempre haverá tempo..."

esse é o meu pacto com a eternidade

rodrigo cruz




terça-feira, 11 de agosto de 2009

quebra-cabeças mental

obrigado a todos que visitam este espaço, isso me motiva a continuar escrevendo... espero novos comentários, sugestões e críticas...
aguardem, pois em breve algumas novidades brotarão por aqui, especialmente na parte gráfica/visual, tão logo eu consiga dominar esse incrível mundo da diagramação bloguística... aceito sugestões em relação a isso também!
assim sendo, vamos ao discurso nonsense de hoje:


minhas idéias não me pertencem
partilho com o mundo
tudo aquilo que é meu por direito

me intimo a fazê-lo,
no meu íntimo
não sei mentir
gaguejo, hesito, tartamudeio
mas sou capaz de enganar com maestria
por permanecer imerso em ilusões...

a força do vento sibilante desta madrugada
além de arrancar uma árvore
me soprou revelações desconfortáveis
a recusa aguda ao bom senso
acusa um calculado desleixo
cumprindo simétrica função
nesse delicado equilíbrio instável
de uma mente por demais confusa
não consigo fugir dessa sina
entre ciclos, pausas e retomadas
me encontro entre respostas vãs
tudo aquilo que decifro me encarcera
mantendo-me cativo das sensações e dilemas
enquanto o tempo cumpre o seu papel
ponho as barbas de molho
na devida medida
que o pelo cresce
me torturo nesse epifânico enduro
interminável e hercúleo
nessa árida jornada lírica
atrás das palavras adequadas
em uma inútil tentativa
de sintetizar o inefável
rascunhando em línguas mortas
todos os sonhos e desejos perdidos
para fazer dos signos possíveis
espelho e escudo
contra meus próprios humores
prosa, poesia, drama, tragédia, ou pura ironia
nada mais são do que rótulos
explicitam, ilustram, sem traduzir
memórias, momentos, lamentos inglórios
pequenos pedaços do todo que me interessam
pois apenas
me deformando
dessa forma
seria capaz de remontar minha essência
tornando a jornada neste plano
um permanente mosaico humano

rodrigo cruz

"aprendi a caminhar, desde então gosto de correr. aprendi a voar; desde então, não preciso de que me empurrem, para sair do lugar.
agora, estou leve; agora, voo; agora, vejo-me debaixo de mim mesmo; agora, um deus dança dentro de mim"
(nietzsche, em: assim falou zaratustra, p. 58)