sábado, 22 de agosto de 2009

o tema é o título

não sei do que falar
nem tenho mais pelo que chorar
meu amor próprio é nulo
me confundo, me atiro fundo
o tempo todo
perdi lá, bem dentro em mim
meu maior tesouro

e sem sentir, sinto o vento passear
passando ao longo do meus corpos astrais
estremeço, faço tudo errado
trapaceio no momento inoportuno
brado quando devo calar
rio alto na hora de silenciar

me assusto como um gatuno desavisado
roubando, escondendo, aquilo que não é válido
escamoteando as respostas postas na mesa
sem a menor destreza
ginga ou malemolência

a inocência se esvaiu, a dor a superou
espero me retratar
com a caneta poder confessar
mudar as emoções de lugar
e assim me reinventar

ao ciclo da vida integrar
como um cone ou espiral
há algo em mim que cresce
continuamente até alcançar o alto

estou farto de mim mesmo
dos meus defeitos, de tanta covardia
da inveja, da raiva contida
e tanta falta de ousadia

mas não me restou outra saída
senão viver com coragem, valentia e sorte
amanhã estarei pior, depois melhor,
mais capaz, fraco ou forte
e assim, só por teimosia,
vivo desafiando a morte

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

cinzas letradas adentrando a madrugada

Outras máximas (não tão) minimalistas:

V: gotas e mais gotas de tristeza

"constato como a chuva e o frio
em nada constrastam com aquilo
contido aqui dentro que expresso

interna ou externamente...

somente escrevendo,
expurgando a maldade
resgato de fato
aquilo que é inato,

por nada mais eu vivo,
seria outro de mim
se não fosse assim..."


6: sofisma cria-tivo
Não à beleza sem verdade!
Não há verdade sem confronto.
Não ao confronto sem labor!
Não há labor sem técnica!
Não há técnica sem criação!
Não à criação sem arte.
Não há arte sem beleza!
Não?
Não há!
Não...

07 -
alfa - ômega
(yin x yang)

diante de tamanho caos, clamo por Deus
mas não encontro respostas
evoco Titãs adormecidos do passado
porém não falo suas línguas
no frio mundo da matéria, não encontro deuses
só me resta, só
alcançar o Logos
o infinito de onde me recrio
me rendo, ao todo integro
por inteiro
assim se faz a luz
poder divino e incompreendido
pura criação


viii: anomalia mutante
corro
caminho
percorro o caminho
em passos largos,
passo ao largo dos acontecimentos
ando me esquivando dos outros
deslizando entre os carros
no meio fio
no meio urbano
atravesso essa rotina
engarrafado em
situações
banais
do cotidiano
não insisto, resisto, sem desistir
vou batendo perna enquanto
a batida dos carros nos captura
sequestrando
a atenção da multidão
até que me derreto
no asfalto escaldante
verdadeira anomalia mutante



nove: photo phobos

não é o medo das fotos
mas sim da luz
cujo brilho ofusca e seduz
por isso talvez seja tão cego ao óbvio
(eu quero um antídoto pra viver melhor)



“Fay ce que vouldras”
(mas pague o preço)


"meus olhos não choram mais ante o pudor dos pedintes;
demasiado endureceu minha mão, para sentir o tremor das mãos satisfeitas.

para onde foram as lágrimas dos meus olhos e o frouxel do meu coração?
ó solidão de todos os dadivosos! ó silêncio de todos os que espargem luz!

muitos sóis gravitam nos espaços vazios; falam,
com sua luz a tudo o que é escuro - comigo, silenciam"
(friedrich nietzsche, assim falou zaratustra, p. 119. 5a ed.)



paz, luz e amor infinitos

rodrigo cruz

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

noite e dia, mar adentro de mim

não consigo viver sem sonhar
mas preciso lutar
pelo meu dia

para fazê-lo valer
encontrando um sentido

a tonga da mironga me confunde
se funde aos meus versos possessos

possuo apenas isso
e uma estrela ardente

amarela e incandescente

dentro do peito

não tem mais jeito

nenhuma praga se alastra
me alcança
seja de dia, noite
ou atravessando a madrugada

não sei mentir direito,
mas já vendi um mar de ilusões
sonambulo,
me sacudo,
perambulo

meu suor nada tem de sagrado

a roda gira,
o mundo vive

assim escapo do declive
convencendo a todos, do bispo ao traficante
de que meus sonhos valem mais que diamantes

são desejos de amantes,
talvez
o medo se desfez,
sumiu, passou
perdeu a vez
já me chamaram de
malandrão,
feio, idiota
veado, corno,
chorão,
sagaz, verme, maluco, guru, doidão

nada disso me serve

ainda mais quando o sangue ferve

ouvi dizer que o mundo é dos espertos

se for verdade, recuso,
refuto com os olhos bem abertos

e assumo que pertenço
a qualquer outro campo
reino ou plano da existência
divina, astral ou inumana
onde há outro tipo de tendência que emana
e prevalece a busca pela paz
não me importo de ficar pra trás
retrocedendo, acabo avançando
saltando três passos
e ultrapassando o abismo

e se faltassem
rimas, ritmo ou métrica
bastaria sonhar acordado,
procurar o sagrado no profano
o suor da labuta no cotidiano
a beleza da lótus brotando no pântano
a magia é instantânea
afundo,
transmuto e pronto
voltei à fonte original
encontrei o resgate após me perder
mergulhando no infinito
me afogo n´alma do mundo
nada mais tenho a temer

rodrigo cruz

terça-feira, 18 de agosto de 2009

e é desse jeito, sem mentira e sem massagem

olá pessoas, visitante, curiosos de todos os tipos!
vamos a mais uma postagem, mas antes, gostaria de pedir que os seres que por aqui pousarem se lembrem de opinar nas caixas abaixo dos posts (no campo "impressões sinceras").
apesar do nome, podem mentir, fica a critério de cada um...
bem, sem mais delongas:

minha mente é ingênua como uma criança
meu corpo se cansa mais do que um senhor
mas meu espírito é tão livre e eterno
quanto o tempo
singra o espaço
voa e sangra galáxias
rompe o firmamento
ultrapassa cometas
rasgando os sete véus
que separam a lua do céu
por isso comento
sem sombra de certeza
contra todos os tipos de dúvida
o mundo é uma prisão
e esta selva de concreto
nos atinge em cheio, desafetando,
tudo o que vem amargando, direto e reto
para depois, dependendo do mérito
depurar as tantas formas de dor
apurando a vida com gosto e sabor
transmutando os defeitos e erros imutáveis
pois a vitória, nada tem de acidental
a batalha é aqui, agora, no real
e o resultado, anormal, é a paz interna
para atingir a harmonia externa
caminho único da nova era



paz, luz, amor, justiça e liberdade
a todos os mundos e todos no mundo
no intento inflexível
(assim espero e me esmero)


só o sol tem hora, eu não

falando em tempo, pensando ao sabor do vento, me surgiu essa reflexão... ou seja, nos capítulos a seguir, maiores máximas minimalistas virão...
eis a primeira das últimas:

regras em excesso causam no meu coração um abcesso
na busca por fugir dos rótulos,
a gente sempre acaba enquadrado em algo
isso é verdade, mas é também a divina desculpa dos tolos


paz, amor, justiça e liberdade!


"O INEFÁVEL É INVISÍVEL AOS OLHOS DA CARNE, MAS É VISÍVEL À INTELIGÊNCIA E AO CORACÃO."