terça-feira, 5 de agosto de 2008

voyeur (1a versão)


pela janela eu te observo
me enervo com tamanha distância
meu pensamento sugere uma fragrância
para cada um dos seus poros, do seu sexo, do seu odor

seria isso uma tara ou o mais puro amor?
devaneio, deliro, enquanto imagino
e você nem desconfia, não sei se aprovaria
tamanho desejo manifesto dentro de mim

contido em um conjunto subatômico
com tanta força, rasgando a epiderme,
adentrando o tecido cardíaco
me transformando num ser quase biônico

escravizando minha vontade
me consumindo de verdade
esgotando a chance de viver
sem as tais migalhas de você

Rodrigo Cruz (05/08/08)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

sem título

imenso mar eu navego
em minha mente me vejo crianca brincando de lego
preso em correntes
e olhos vendados
um homem largado
um jogador solitario
ao embaralhar as cartas na mesa
entre loucos, bebados e malandros
entre os profetas e santos
sou o observador
desse mundo simbólico
de formas e pensamentos
caminho sem pes no solo
apenas viajo
decolo ao espaçoo
o mundo, uma esfera a girar
e eu na corda bamba
não em um de terreiro de samba
não corro porque tenho pernas bambas
então vivo a sonhar e voar
sobre estrelas
porque onde tem paz
sem dor
nem luz ou cor
onde a saudade e o tempo não devorem
as lembranças
onde se bebe e come fartamente
minhas lágrimas matem minha sede
eu fecho os olhos p tocar o sol
as asas impulsam eu plano sobre arvores
antigas
no alto da montanha
sinto me uno com os seres das florestas
bebo vinho numa caneca
mastigo um pedaco de canela
e a dor passa
um silêncio
sem tormentos
e chacais
eu continuo seguindo entre mortais

sábado, 24 de maio de 2008

(des)escrevendo - desperdiçando ideias no mundo irreal

Pergunta: Como aprimorar a prolixidade?


Resposta:

Bem, aproveitando o ensejo, seria de suma valia questionar se o conjunto de práticas socio-comunicativas convencionalmente entendidas pelo termo "prolixidade" são passíveis de desenvolvimento evolutivo através da experiência adquirida, mas tendo em vista a necessidade de sintetizar meus pensamentos de maneira resumida, acabo por me ater à tentativa de, considerando o intrincado arcabouço de possibilidades cognitivas, culturais, epistemológicas, teóricas e demais restrições conceituais que possam influenciar diretamente qualquer tipo de elaboração intelectual por mim estabelecida, elucidar suas dúvidas que originaram o tópico em questão.

assim, posto isso, entendo que cada indivíduo prolíxo detém um estilo uníco, tal qual a expressão ímpar de sua individualidade, de sua essência criativa, de sua centelha divina que, supostamente, nos diferencia dos demais seres que habitam a orbe planetária, então cabe ao orador arguto apurar suas competências no esgrimir retórico, mantendo a coesão no elemento conectivo que o agrega ao interlocutor, de modo a manter a fluidez comunicativa dentro dos requisitos salutares nos quais se pautam uma boa conversa, esteja ela estabelecida nos moldes coloquiais ou nos ditames da norma culta, o que assegura uma suposta neutralidade estilística, onde os falantes não se sentem pressionados ou acuados.


posso finalizar estas breves considerações estimulando o virtual missivista a lapidar o seu estilo, a sua técnica, a sua assinatura retórica, empreendendo assim, jornada assaz hercúlea na busca por autoconhecimento, por que não? os entusiastas do parnasianismo e de mais gênios da obviedade podem discordar, mas entendo que apenas o nobre colega que sucitou tal problemática será capaz de, mediante intrincada operação analítica, obter suas respostas de modo a sanar suas pertinentes indagações.
(Rodrigo Cruz, 24/05/08)


<<<musicas que (ins)piram>>>
na frente do reto - o rappa
polegar opositor - inumanos
vagabundo - quinto andar
paz, justiça e liberdade - mc bacon
portishead - silence
you know i´m no good - amy winehouse
(remix c/ ghostface killah)

...

ॐ हरी ॐ
नमस्ते

domingo, 11 de maio de 2008

contagem regressiva rumo ao nada

.
.
..
...
(...)
gritos? sussurros?
brados coléricos e até alguns murros
não, não, é impossível
(tudo permanece em silêncio)
(...)
mas onde estou?
meu corpo, minhas vestes, minhas preces?
não consigo ver
será que morri?
(tudo permanece em silêncio)
(...)
o sussuro sibilante semeia surtos,
sensação sinistra, como um sonho,
sentidos de súbito desconforto
sobressaltam meu ser
e o silêncio?
(...)
...
..
.

por rodrigo cruz - 11/05/08

quinta-feira, 1 de maio de 2008

para n perder o costume

(Nota da redação: poema enviado por Rafael Coimbra. Autor Hicla.
Para evitar acusações de plágio, informo que o poema não é de autoria de nenhum dos responsáveis pelo blog "asilo arcana")


o calafrio na espinha sigo no beco
sem demonstrar medo
o som do vento
como a luz de mil estrelas em meus olhos
um gosto amargo de fúria e ódio
porque as pedras rolam
sem parar
eu a gritar
encantos e magia
sobre a lua
de prata
um gesto simples que mata
a maldade oculta nas faces de rugas
o fogo ardente
o que será daqui pra frente
os inimigos agonizam
eternamente
um anjo de luz voa sobre o céu incandescente
no apocalipse iminente


Bom feriado para todos (trabalhadores ou não)
Afinal, poesia também é labuta, não tem hora nem local para acontecer... exige esforço, sangue, suor, lágrimas e coração...
Obrigado aos (poucos) frequentadores do asilo arcana! Continuem colaborando, enviando críticas (e sugestões), reclamando ou apenas acessando a página!
pax
haribol
semos nozes