domingo, 9 de agosto de 2009

domingueira de sonhos coletivos

A de hoje:
recuso, confuso, um sentimento tão difuso
recluso diante do meu fuso interno
me internando em pensamentos perdidos
tal qual um naúfrago
dentro de mim
ao seu lado
no meio da multidão
num almoço de família
na praia lotada
debaixo do chuveiro
diante de toda e qualquer possibilidade
certa ou incerta
desafiando a lógica e o pragmatismo
discordando daquilo que é absoluto
somente assim posso existir
sem fazer figuração
ou bancar o imbecil
há tanta beleza pelo mundo
que me confundo
respiro, inspiro, aspiro novas possibilidades
mas a vida continua igual
ou fui eu que retrocedi?
ao menos não me rendi totalmente
o desespero veio, em mim se instalou
por pouco pouco sobrou
mas agora eu vejo
receio, mesmo que não seja
eu mesmo
aqui.
que tenham me trocado por outrem
os trocados no meu bolso fazem troça disso
como assim?
não há o que explicar
desde sempre sempre sonhei em alcançar as estrelas
mas tenho medo de altura
e não ando de bicicleta
e daí? por isso voo
alço asas invisíveis
nos meus passos
sempre quis me libertar
mas meu sono se mostra abrigo de delírios
não de lírios...
desejo a paz no mundo
só que meu mundo interno é sangrento
aos olhos dos outros talvez
seja um fraco, um covarde,
menos do que um rato
e prefira assim
pelo menos nisso há coerência.
cansei de me degladiar desarmado
quando meu coração é uma bomba-relógio
abriga tanto ódio, dor e loucura
talvez nisso resida a minha cura
Rodrigo Cruz
(vulgo zer0)

boa semana a todos!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

curtíssima

eu trago
inalo
respiro
prendo
inspiro
transmuto a negatividade
expiro

o prazo de tolerância acabou

agora é assim
bateu, levou.



dose múltipla de divagações


Salve, Salve!
Bom dia aos que me acompanham... estava vasculhando uns cadernos antigos e encontrei coisas escritas que me remetem a um passado longínquo, algumas razoáveis, outras ruins e poucas boas... mas é um material que pode ser trabalhado com mais rigor daqui pra frente e pretendo expor aqui em breve (assim que meu senso crítico permitir).

Achei interessante exibi-lo em contraste com algo atual, o que pode mostrar alguma variação de humor, além das próprias temáticas, refletindo o momento por mim atravessado. Assim, sem mais delongas, vamos que vamos:


I
por um triz

um dia quase fui feliz
andava perdido, sem rumo
mas, do nada, perdi o prumo
assim que lhe vi
foi por pouco, foi por um triz

cá estava, louco
fazendo pouco do meu destino
mas, ao te ver,
voltei aos sonhos de menino
quase fui feliz

assim, ao te olhar
voltei a delirar, acreditar
em contos de fadas, encantos, feitiços
por voce faria qualquer sacrifício
faltou pouco

de forma inocente
comecei a te vigiar, observar
pelo seu sono velar
resolvi mudar, virar gente
quase consegui

mas então, o desgosto
invadiu meu coração
levou meu mundo de ilusão
só restou apatia,
sem qualquer garantia
de que voltarei a vê-la um dia

me sinto tão infeliz
talvez por não querer
chegar tão perto de você
faltou pouco, foi por um triz

***

II - dilemas pós-modernos (?)

explicar o infinito?
como poderia, se mal sei
talvez nunca entenderei
esse mundo que habito?

vivemos em uma aldeia global
em uma pretensa utopia coletiva
imposta por minorias fascistas
imensa hipocrisia virtual

teorias, dúvidas, indagações
conspirações, intrigas, paranóia
estou preso como a presa da jibóia

a eterna disputa entre o bem e o mal
acaba reduzida a um conflito banal
entre o material e o espiritual
diante do plano real
tão concreto quanto uma quimera
devoradora de sonhos há eras

diante disso, como agir?
não vou mais refutar
tampouco reclamar,
me importar
com o que irão pensar
se irão notar, criticar, elogiar
nessas horas pensar dói
sentir é incômodo
viver é um eterno estorvo

então mostre algo diferente
daquilo que já aprendeu
não repita a forma,
o padrão no qual viveu
mesmo que seja difícil, insista
não desista
dessa batalha
pois o caminho
é a sua principal conquista



III - daydreamer

nesses horários alternativos

muitas vezes
o sono costuma fugir
nativo do mundo das almas perdidas que sou
não tento buscá-lo
passo minutos, horas, dias...
eras, ciclos, aeons
devaneando devagar dentro de mim
e para sair?
é esse o problema, minha maior questão
solucionar tão insolúvel equação


IV - amor sonâmbulo
puras
suas
asas
nuas

me levam
a voar
em pelo
explorando

o cosmos
o infinito
do seu corpo
à procura
da redenção


Bom final de semana!!!
Muito amor a todos, como prega a citação abaixo:

"Love is the affinity which links and draws together the elements of the world... Love, in fact, is the agent of universal synthesis."
(Teilhard de Chardin)


trilha sonora recomendada:
max romeo & the upsetters - I chase the devil
augustus pablo meets lee perry at black ark (1975) - king pharaoh's army
confucious (live) - the skatalites
los sebosos postizos - comanche
tim maia - bom senso

domingo, 2 de agosto de 2009

quid est ergo tempus

(extraído do trânsito de 5 de agosto, por Oscar Quiroga)


Problema x Solução

Acho que o tempo me iludiu,
Muitas vezes...
Quando jovem, cria ser melhor
do que realmente sou

Depois passei a ver melhor
compreender as coisas por outro prisma
um ângulo mais favorável
não engulo mais certos desaforos

Mas não por arrogância ou orgulho
talvez seja como já disse antes:
"pensar dói, sentir é incômodo / viver é um eterno estorvo"

O que me consola, alenta e renova
é saber que nada foi em vão
tudo passa, o tempo todo
(mesmo a dor)
e ficam apenas as respostas que servem
sobra aquilo
que basta por si só


até a próxima.

"Não somos seres humanos vivendo experiências espirituais,
mas sim seres espirituais vivendo experiências humanas"
(Teilhard de Chardin)






sábado, 1 de agosto de 2009

mentiras sinérgicas (ou sinceras besteiras)


Remedium irae mora est


Às vezes a pior mentira faz bem...

Mentira!
A quem você pretende enganar?
Os resquícios do passado se revelam em cada instante
e você diz que me ama
a todo instante... mentira?
Nem mesmo você sabe a verdade
Eu digo, você me traiu!
(mas quem nunca traiu, mesmo em pensamento?)
Lamento tê-la feito sofrer...
Mentira! - Você brada, urra, me esmurra com impropérios -
Refuto, desafiando meus demônios internos
nos quais creio piamente

Me enterro em labirintos difusos da minha
imaginação
confusa
(seriam divagações delirantes?)

Não importa.
Essa é a maior das mentiras!
Porque a verdade dói, mas liberta
e esse é, para mim, o cerne da questão...
Afinal, por ora, será que algum dos dois quer
- deseja, sonha ou almeja -
a tal da liberdade total?
é mentira?

zer0