terça-feira, 18 de março de 2014

cybercupido uraniano

fagocitar larvas emocionais
é tão difícil quanto entender
a semelhança entre peixes e abelhas
mas como medir o imponderável?

diante de naturezas que se chocam
não há mais tempo a perder
talvez seja melhor silenciar
ou dar três passos para trás

nesse ínterim, dionísio chegou 
ao cupido, embriagou de amor
me ameaçou com seu repertório
mesmo assim, não pude me render

só que a flechada voltou
como? contra quem? por quê? 
tantas perguntas sem resposta 
e assim, a balança pendeu
com a leveza de uma mortalha  


diante dessa microfábula bizarra 
nada disso me assusta mais, 
afinal entendi a importância 
de ter a dor como combustível

(rodrigo cruz)


(escrito sob a vênus em 10´ de aquário)




"amor é a lei; amor sob vontade"

sugestão de trilha sonora:



.i.i.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

manifesto pró afeto

é importante...

confessar, admitir que temos algo de vil ou ruim,
considerar o que há de feio, falso, folgado
além de amar tudo aquilo em que houver pecado.

é importante...


desvirtuar caminhos nas macro revoluções individuais
reconhecendo tantos sublimes sinais 
naquelas que julgaria mais deliciosas
por serem, sentirem e sofrerem ruidosas
silenciando o tempo, com tamanha pureza
para podermos exaltar nossa fraqueza.

é importante...

reconhecer como o sangue derramado 
mesmo sem dor escorre pelo teclado 
cada um, com suas lutas, críticas ou disputas vãs,
é merecedor de respeito.

é importante...

admitir que somos contraditórios 
para seguir desafiando a morte 
somos empolgados, emocionados, inspirados 
flertando mais e mais com o inesperado
sentindo, vivendo, rimando, sonhando, amando
porque exaltar a vida é o que a torna forte.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

tréplica existencial

para apreciação: 

"ouça menos a sua mente e escute mais o seu corpo;
 assim será possível compreender de fato aquilo que sua alma fala"

(rodrigo cruz)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

! Paradeiro !

"não só quem
nos odeia ou nos
inveja nos limita
e oprime;
quem nos ama
não menos
nos limita"
(Fernando Pessoa)



beiro, tropeço
trôpego no bueiro...
me esgueiro,
com receio
verdadeiro.

boto para fora a dor,
esqueço meu complexo
de patinho feio...
e faço ouvidos moucos!

ignoro os riscos,
desconsidero:

avisos roucos!
dicas fúteis
ou conselhos seguros,
opiniões prudentes,
(nada me segura)!

de nada fazem sentido
numa,
na minha mente:
(demente?)
feliz, esperançosa, contente...

"tudo culpa dela!"

do amor,
da dor,

de não tê-la (...)


(rodrigo cruz - 09/11/10)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

por mais a mais (ruptura confessional)

introdução:
"quem me guia são meus guias. pelos meus santos, orixás e demais forças da natureza sou guiado e por todos abençoado!"



mesmo o mais forte santo
em algum momento acaba em pranto
portanto, por tanto e por tudo
aquilo que não lhe disse
por realmente esperar que você partisse

por mais a mais
de tudo o que for capaz
ou por todo o sentido insensível
do que intuía há tempos atrás,
mesmo incapaz de traduzir o indecifrável do nada

assim prossigo e carrego a espada embainhada
e, ao longo dessa vã jornada uns me veem,
apontam, criticam, condenam, com veemência
me consideram um condenado, fracassado,
pobre coitado com o ego inflado
com sorte, talvez um poeta pressentindo a demência cotidiana
mesclada à doença dessa tal pseudo-sapiência humana

não espero que isso lhe convença
afinal, na maior parte do tempo sou ingrato
desarranjo o arranjo cósmico orquestrado
lado a lado, se mostrando mais e mais patético
aliado ao suposto consentimento do cético

aquele ser sempre trôpego, do tipo que se desequilibra
amparado pela rigidez dogmática da ciência
mas, contraditoriamente, a este cenário futuro
no presente escrevo, contesto e lhes presenteio

escravo das palavras e teclas, transbordo
emoções, desejos ou sonhos pelas bordas dos poros
fundindo-os e me confundindo com o que sou

assim, no fundo, é (ou acaba sendo)
bem mais do que isso,
o tudo-e-o-nada se resumem a:
de onde vim, por que permaneci e para onde vou?

e quem disse que vou?
melhor ficar na dúvida e por mais, ter algo a mais
ainda há mais a fazer, muito pelo que morrer
e somente assim ter como me redimir, voltar a sorrir

devo me fortalecer em novas lutas,
ou então conseguir a benção da lua
para então voltar a mim,
por mais coração ou menos razão a mais
tanto faz, desde que haja algo demais
que devolva a minha paz
(rodrigo cruz - 05/10/10)



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